A fé é um movimento de conexão!

Espiritualidade

24.01.2023 - 13:54:51 | 4 minutos de leitura

A fé é um movimento de conexão!

Uma pessoa do outro lado do mundo pega em suas mãos seu smartphone e se conecta, em tempo real, em vídeo e áudio, por meio de uma ligação, com outra que está no Brasil. Esse movimento de conexão para nós já é comum e sequer conseguimos nos imaginar novamente vivendo sem ele, tamanha a facilidade que o mesmo nos proporciona e a comodidade de podermos estar em todos os lugares, ao mesmo tempo.

            Uma conexão que tempos atrás iria parecer cena de desenho animado - dos Jetsons - por exemplo. Ali, no desenho citado, a conexão ultrapassa fronteiras, gerando hologramas e tantos outros efeitos especiais que pareciam distantes da nossa realidade. Mas, você pode se perguntar: o que tem isso a ver com a vida de fé?

            Poderíamos, apaixonadamente, dizer que a fé é um movimento de conexão. Ou, ceticamente, afirmar que fé e conexão não possuem nenhuma relação. Evocando o poder do equilíbrio no pensamento e na razão, podemos afirmar que fé e conexão possuem sim um alto grau de relacionamento entre si. E podemos mesmo afirmar que hoje, nos tempos conectados que vivemos, é possível realizar uma experiência de fé com aprofundamento e práticas concretas.

            Primeiro, temos que compreender a importância do momento em que a humanidade vive: não se pode negar os avanços e as contribuições da ciência, da tecnologia e das inovações para o mundo como um todo. Elas nos ajudam cotidianamente em questões das mais simples - como limpar a casa, por exemplo -, diga-se de passagem o sucesso feito pelo "robô aspirador de pó", que te ajuda na limpeza doméstica, enquanto você pode se sentar e assistir TV; até as questões mais complexas, basta ver as cirurgias e novos procedimentos que têm sido realizados pela medicina, com auxílio de instrumentos tecnológicos conectados. Ou seja, não é possível pensar a humanidade hoje sem a existência das novas tecnologias e da conexão em rede.

Agora, pensemos na dimensão da compreensão. A Igreja constantemente tem nos alertado para a necessidade de compreendermos e habitarmos esses espaços hiperconectados, especialmente porque nele estão presentes as pessoas do nosso século. O Papa Emérito Bento XVI, por meio da mensagem do "47º Dia mundial das Comunicações Sociais" nos alerta que "a troca de informações pode transformar-se numa verdadeira comunicação, os contatos podem amadurecer em amizade, as conexões podem facilitar a comunhão. Se as redes sociais são chamadas a concretizar este grande potencial, as pessoas que nelas participam devem esforçar-se por serem autênticas, porque nestes espaços não se partilham apenas ideias e informações, mas em última instância a pessoa comunica-se a si mesma." Este é um cuidado que devemos tomar para que não sejamos apenas mais um número nas redes ou ainda que não aproveitemos destes espaços para dar testemunho da nossa fé, o que seria triste e nos colocaria em uma situação de dubiedade, ou seja, vivendo uma vida autenticamente cristã no mundo offline e sendo outra pessoa no mundo online. Nossa presença virtual neste mundo em rede pede testemunho e coerência!

            Enfim, chegamos a outra dimensão muito importante desta nossa conversa: o anúncio. Começo a reflexão acerca deste ponto com uma provocação: como anunciar a Palavra de Deus em tempos conectados? Será que este anúncio deve acontecer por uma exaustiva produção de postagens e conteúdos com frases de santos ou da bíblia? ou será que o nosso primeiro convite é o de darmos testemunho com o tipo de conteúdo que consumimos, os veículos e canais para os quais damos audiência e a nossa postura nas redes?

            Um dos grandes perigos que este cenário nos proporciona é a de criarmos um "farisaísmo virtual", onde impomos uma doutrina difícil para os outros e vivemos a nossa vida como se a tal doutrina não existisse. Um perigo que pode ser suprimido com uma vivência concreta e coerente do Evangelho, onde a nossa vida deve falar mais que as nossas palavras.

Em Mateus 12, 34 o Senhor nos alerta: "...pois a boca fala do que o coração está cheio…" Como é possível um coração estar cheio de amor, sendo que este só consome coisas ruins e acumula quinquilharias online? Fica para a nossa reflexão e revisão de vida esse questionamento: Será que somos presença autenticamente cristã nas redes que acessamos? Ou será que ali somos apenas mais uma estatística?



Luiz Fernando Miguel Lopes 
Assessor de Comunicação na Rede Salesiana Brasil (Colégio do Carmo), Guaratinguetá
e Palestrante-Consultor da Carps Treinamentos e da MPZ e Desenvolvimento Humano. 

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